É comum observarmos comentários de forma perjorativa acerca da popularização do público e conteúdo de determinadas redes sociais através da expressão orkutização. Mas afinal, o que está por trás disso?
Nesta manhã notei um checkIn no Four Square curioso, um colega havia marcado presença em um dos coletivos da cidade, o Icoarací Ver-o-Peso. Em um breve diálogo com ele (falo de José Calazans – @calazans) acabamos chegando a ideia de que em breve iremos observar comentários da seguinte natureza: “O 4square está virando um Orkut” ou “É daqui a pouco tá avacalhado que nem o Orkut”. Quem sabe surjam campanhas a exemplo de uma que ví recentemente no Facebook: “Não permita que o Facebook se torne um orkut, lute contra a orkutização!”.
Curiosamente percebo que existem mais coisas nas entrelinhas do que simplesmente aversão por SPAM e conteúdo de “qualidade duvidosa”. Começo a perceber que existe um movimento discreto de pessoas que utilizam o discurso de qualidade de conteúdo para marginalizar pessoas ditas “feias” e pobres.
Perceba que o Facebook possui status de concentra pessoas bonitas, no mínimo “pegaveis”. Isto ocorre devido a rede ser convidativa a pessoas que normalmente possuem níveis de instrução um pouco acima da média da população comum. A coisa começa a tomar ares de preconceito quando vemos orkutização virar vocábulo para coisas e pessoas da periferia.
Perceba que erroneamente o Orkut é taxado como um espaço frequentado por pessoas feias, burras e bizarras de origem periférica. Observe que isto causa impacto social refletido na forma como pensamos e relacionamo-nos em redes sociais. Entendo que o grande divisor de águas entre redes como Facebook e Orkut não está na suposta “qualidade” dos usuários e sua origem, mas na atmosfera que ambas as ferramentas geram. Você acredita realmente que o Facebook é uma rede de pessoas bonitas e inteligentes?
A única diferença substancial que percebo, é que além de quesitos técnicos e facilidade na interação, é um ambiente “caótico” frente a uma atmosfera que naturalmente leva a ser mais “social” e “neutro”.
Voltando ao 4square, é natural que elementos ditos não tão requintados acabem ocupando espaço na rede, por um simples motivo, diferentemente do que as pessoas criadas a “leite com pêra” e milkshake crocante do Bob’s imaginam, a cultura popular da periferia é mais forte e passiva de adaptabilidade nos diferentes meios. A cultura da periferia tem a incrível capacidade de se apropriar de tudo, e isto é gerado por uma das grandes verdades acerca de redes sociais de acordo com meu entendimento:
Não importa para que ou quem a ferramenta foi “desenhada”, o usuário pensa de uma forma e age de outra, diferentemente da forma para a qual a rede foi imaginada, tão logo, o usuário se encarrega de dar a real e verdadeira utilidade para a ferramenta de interação social, de acordo com sua real necessidade. Asseguro que de prever ou imaginar os rumos do usuário está fora do alcance de qualquer profissional, afinal nem mesmo o usuário o sabe. Estamos falando do consciente irracional coletivo.
E você, o que pensa sobre isso?
Imagem: http://www.colmeia.blog.br/exibindo-sua-inteligencia-no-orkut.html










Concordo com o texto. Até fiz uma análise parecida com relação ao twitter. http://bobdoblog.blogspot.com/2009/05/seguindo.html
Concordo. Muito do movimento que gerou o termo “orkutização” é, na verdade, uma reação da classe média brasileira com relação à ascensão social que o Brasil viveu nos últimos anos. Mesma coisa quando reclamam que “popularizou o carro”, por isso o trânsito tá uma merda ou que “popularizou o avião”, por isso o caos aéreo. A culpa não é dessa nova classe média, é da falta de estrutura desses sistemas, já que o governo e algumas empresas não estavam preparados para essa mudança social.
A classe média tradicional, em muitos casos, age de forma egoistamente irracional. Se sente incomodada com coisas que não afetam em nada a vida, como uma empregada doméstica começar a estudar; um negro ter um carro caro; um miserável conseguir se estruturar a partir de programas sociais.
Acho que na internet ainda é mais irracional: não existe bem material na internet. Ninguém perde alguma coisa quando aumenta o número de pessoas de classes menos favorecidas numa rede social online. Pelo contrário: isso quer dizer que os mercados estão se tornando mais diversificados, que essas pessoas estão tendo acesso à comunicação, à cultura e à informação.
Essa reação, típica da classe média estabelecida é preconceito e, pior, hipocrisia. Hipocrisia porque é uma classe que adoraria ascender socialmente e faz isso dos modos mais ridículos possíveis tentando imitar a classe mais rica com suas bilhões de prestações e pacotes turísticos.
Enfim, parabéns pelo texto Ac.. Diego! Desculpa se escrevi demais. Beijos
Ufa! Rsrsrs como sempre Carol com sua abordagem aprofundada sobre os fatos! Isso me fez elmbrar meados de 2008/2009 quando trocavamos comentários em nossos blogs. Concordo contigo! Assino em baixo!
Cara, as pessoas são movidas por melhorar, sempre!
E é um fato que quem é mais esperto e antenado, fica sabendo das novidades por primeiro.
O Orkut a muito não supria as minhas necessidade, por isso me apaixonei pelo Twitter que trouxe uma tendência minimalista.
O Face Book também mudou, antes parecia mais com o Orkut, agora virou um grande “Twittão”…
E essa mudança toda veio pelo sentimento de querer sempre o melhor, e negar isso, sim seria Hipocrisia.
Hoje as pessoas dizem que o Face é lugar de pessoas inteligentes…. dizem isso porque o primeiro publico do FaceBook são as pessoas mais ligadas nas novidades da Web. O Orkut era assim no inicio, os convites eram disputados a tapa, tinham pessoas que vendiam convites no Mercado Livre…
A Tendencia é essa… é crescer e se popularizar…
Mas meu xodó ainda é o Twitter… rs
Concordo inteiramente com o que você disse, ja vi e ouvi vários comentários sobre a a tal orkutização do facebook e de lamentar esse tipo de opinião ni mínimo preconceituoso, e uma ferramenta social e livre para qualquer pessoa utilizar da forma que acahar melhor para o seu proveito.
Nossa vc e amigo do Calazans, também sou ja trabalhei com ele.
[...] abaixo um comentário que fiz no ótimo texto “Orkutização e Preconceito”, publicado no blog do meu colega Diego Paes. Esse tema gera bastante controvérsia, mas achei [...]
[...] abaixo um comentário que fiz no ótimo texto “Orkutização e Preconceito”, publicado no blog do meu colega Diego Paes. Esse tema gera bastante controvérsia, mas achei [...]